2 Anos a Crescer

Sabia que o Ananás dos Açores demora dois anos a crescer?
O Ananás dos Açores/São Miguel é produzido em estufas de vidro, utilizando técnicas de cultivo tradicionais: aplicação de «fumos» e utilização de «camas quentes» à base de matéria vegetal. Ao fim de um período de dois anos, desde a plantação até à colheita obtém-se um ananás de qualidades ímpares de aroma e sabor.

FASE I
Abrolhamento (Toca) [4-6 meses]
O Ananás dos Açores é produzido não através de semente, mas de plantio, ou seja, a preparação do rizoma que se destina à obtenção de novo plantio consiste no arranque da planta que produziu um bom fruto, sua desfolha e extracção, por corte, da parte terminal correspondente à base do pedúnculo. As «tocas» assim obtidas devem ser imediatamente postas a abrolhar.

As estilhas de ramada de incenso são incorporadas no solo com o recurso a enxadas rotativas de motocultor. O farelo é espalhado em camada contínua sobre o solo mobilizado para que no seu interior sejam colocadas as «tocas» assim dispostas no farelo, umas ao lado das outras em linhas paralelas. Estas são cobertas por farelo e posteriormente pela mistura de terra e estilhas de ramada de incenso. Cada toca poderá produzir 3 a 4 brolhos, dependendo da época do ano, sendo destacados os mais vigorosos.

Preparada a estufa para abrolhamento, é fechada, procedendo-se a partir daí a regas semanais ou de 15 em 15 dias conforme a época do ano e o estado de secura dos materiais incorporados no aterro.

Passados cerca de seis meses, os novos propágulos vegetativos atingem cerca de 30cm, momento em que podem ser destacados da toca-mãe e transplantados para outra estufa, cujo «aterro» já foi previamente preparado. Cada «toca» produz três a quatro «brolhos», dos quais deverão ser seleccionados dois.

 

FASE II
Planta Disposta (Brolho) [6-8 meses]
Antes da transplantação do «brolho», torna-se essencial proceder ao corte das suas raízes e à desfolha da base do caule, operação que favorece a criação de novas raízes que asseguram a absorção dos elementos nutritivos e consequente assimilação das novas plantas.

Preparado o plantio, procede-se à plantação manual, em quadrado, no compasso de 27,5 por 27,5cm, para o qual os trabalhadores se munem de um utensílio chamado estaca.
Para que seja assegurada a uniformização da cultura, as plantas mais robustas são destinadas às zonas mais frias e húmidas, ou seja, com condições mais desfavoráveis ao seu crescimento. Após a plantação do «brolho», as operações culturais resumem-se a mondas, regas e caiações, sempre que necessárias.

As regas, em princípio mais abundantes e frequentes, destinam-se a favorecer a fermentação, com consequente elevação da temperatura do solo, o que permite um melhor e mais rápido enraizamento das plantas. Durante essa fase procura-se criar no interior da estufa temperaturas elevadas e elevados valores de humidade.

Para se contrariar a acção directa dos raios solares sobre as plantas, a estufa é caiada com cal, operação que normalmente decorre de Janeiro até Outubro, mês a partir do qual se torna necessário retirar a cal se a água das chuvas não promover essa lavagem.

 

FASE III
Planta Definitiva [12-15 meses]
A plantação definitiva difere da plantação de «brolho» apenas no compasso (55 por 55cm) utilizado. Todas as outras práticas são idênticas, desde a preparação do plantio até à dos «aterros».

Uma das práticas importantes a ter em atenção é a caiação dos vidros com cal, que tem por objectivo evitar a queimadura das folhas: as aplicações variam com a época do ano, sendo mais frequentes durante a Primavera e o Verão, isto é quando a intensidade luminosa é maior. Nos meses de menor intensidade de radiação solar, usa-se cal mais diluída, havendo, em alguns casos, necessidade de retirá-la.  

A fumigação com vista à indução da floração ocorre em regra seis meses depois da plantação definitiva. Por este processo consegue-se uma floração antecipada e homogénea. É uma operação que se resume à queima de materiais vegetais, normalmente ramada de criptoméria seca, usando-se para o efeito latas onde os materiais são postos a arder, colocados no passeio central.

O número de aplicações de fumo, variável consoante a época do ano, pode ir de 9 a 21. Nas manhãs seguintes a cada aplicação, as estufas são abertas e as latas retiradas, para, de novo, serem preparadas para outra fumigação.

O aparecimento das primeiras inflorescências verifica-se, consoante a época do ano, 35 a 90 dias após a aplicação do fumo. Aplicado em Novembro,
verifica-se 90 dias depois, ao passo que em Janeiro surge 50 dias depois, no período de Fevereiro a Abril, 40 a 45 dias depois, enquanto os fumos
de Abril a Setembro provocam floração ao fim de 35 a 40 dias.

Em norma, e como média, pode afirmar-se que seis meses após a última fumigação os frutos atingem o seu estado de colheita.

É obrigatório a supressão do meristema central da coroa, usando para o efeito uma espátula de madeira. Evita-se, assim, que as coroas cresçam demasiado, afectando a forma e o aspecto do fruto.